Que mensagens transmite aos outros através da sua imagem

Que mensagens transmite aos outros através da sua imagem

Quando se olha ao espelho já se perguntou sobre o que a sua imagem transmite às outras pessoas? Essa imagem que vê relaciona-se consigo, tem a ver com o que realmente é ou gostaria de ser?

Na realidade a imagem que cada indivíduo transmite é um conjunto de características e uma série de comportamentos que podemos visualizar numa pessoa. Não se trata apenas da sua aparência física ou da forma como se veste, mas também da postura, da maneira como anda, como se senta, das inflexões vocais, da linguagem corporal seja durante uma conversa social, seja numa uma entrevista formal, qual o estilo que adota (relacionado com acessórios, maquilhagem, penteado e cores).

Estudos efectuados (pelo “Management Institute of Technology”/EUA) referem que são necessários apenas alguns segundos (dez a sessenta segundos), para caracterizarmos um indivíduo, e isto através da roupa, tom de voz, expressões faciais, gestos e atitudes. Do impacto que a imagem exerce perante os outros retém-se uma primeira impressão desse indivíduo, baseada 55% na sua aparência física e ações, 38% na entoação da voz e 7% no que se diz e nas capacidades intelectuais óbvias. E em poucos segundos (na primeira impressão) formulam-se opiniões sobre o indivíduo como idade, género, raça, religião, nível sócio-económico, status, nível de sucesso, entre outros. E também se projectam sentimentos como simpatia, antipatia, desejo ou rejeição nesta primeira impressão.

Causar uma boa primeira impressão é quase um requisito para o sucesso nos dias de hoje. Aliás, frases já bastante populares como “a primeira impressão é a que fica” ou “nunca terá  uma segunda oportunidade de deixar uma primeira impressão” são quase “máximas” de vida que praticamente todos conhecem.

O primeiro olhar é aquele que ficará para sempre gravado no subconsciente de quem nos conhece. Assim, a imagem pessoal é um factor crucial para refletirmos aos outros a nossa personalidade, mas, mais do que isso, é essencial para demonstrar a nossa auto-estima (boa). Essa, inevitavelmente, irá contribuir de forma positiva e decisiva para a “primeira impressão”.

Por certo não podemos alterar uma primeira impressão, mas ela pode ser sobreposta por uma segunda e terceira impressões. A questão é que em muitos casos não temos essa oportunidade. Daí a importância de termos a imagem que nos define.

Na sociedade actual, imagem e aparência têm uma importância vital. Tanto aparência (roupas, acessórios e cuidados pessoais), como comportamento (acções, atitudes e postura) e comunicação (verbal e não verbal) são de suma importância para a construção da imagem pessoal e profissional.

Platão, na Grécia Antiga, escreveu em “A República” que… “imagem é tudo aquilo de algum modo criado por alguém para representar algo…”

Quer se queira ou não, todos os indivíduos têm uma imagem pessoal. Através dela cada indivíduo é percebido pelos outros e é criada uma reputação fundamentada nessa imagem.

A imagem não é estática, é dinâmica e deve ter coerência com a verdade de cada um. Ela pode ser uma grande aliada para se atingir o sucesso pessoal e profissional, mas também pode destruir uma reputação em poucos segundos.

As roupas, um dos fatores determinantes da composição e construção da imagem, funcionam como símbolos. Posicionam-se também entre o indivíduo e o mundo externo.

Funcionam ainda como uma “interface” entre o ser interior e o ser exterior, de que emanam ideias, sentimentos e conceitos elaborados por cada um. São criadas representações a partir de percepções distintas de si ou de outros.

Já parou para pensar o que as suas roupas simbolizam? O que as suas roupas falam de si? Porque, inevitavelmente, as roupas que cada um veste, a forma como se combinam peças e cores, comunicam mensagens que, idealmente, deveriam transmitir a verdadeira essência de cada um.

A roupa que se veste é uma forma de apresentação ao mundo social, facto que é de grande relevância, mas nem sempre se lhe dá a devida atenção. Não se trata de “estar na moda”, mas sim transmitir mensagens que os elementos de design das roupas exprimem. Estes elementos de design referem-se às linhas, às formas, às texturas, às cores, aos padrões e estampados existentes nas peças de roupa. Esses elementos revelam significados sobre quem a veste. O desejável é dar significado à sua personalidade.

Quem não se confrontou já com profissionais rígidos a necessitarem de mostrar mais flexibilidade, mulheres demasiado “sensuais” ou “delicadas” a precisarem de ter mais autoridade sobre a sua equipa ou clientes, pessoas com elevado conteúdo humano e/ou intelectual parecerem superficiais, pessoas exigentes transmitirem desleixo?  Todos estes casos têm em comum a  incapacidade de comunicarem o que necessitam ou o que realmente são.

A escolha das roupas certas pode ajudar. De facto, existem roupas que transmitem autoridade, solidez, força, segurança, confiabilidade de acordo com os seus elementos de design. Algumas pessoas naturalmente comunicam essas características de personalidade, mas outras não as possuem ou não conseguem expressá-las. E se for importante e necessário para esse indivíduo (profissional ou socialmente) apresentar essas características, pode e deve usar a roupa a seu favor.

Inversamente, quem possui essas características, se as reforçar ao vestir, pode apresentar uma imagem demasiado rígida e autoritária. Neste caso recomendar-se-ia o oposto, isto é, deveria usar peças de roupa que transmitam mais leveza, delicadeza, acessibilidade, cooperação.

As roupas funcionam através de um efeito psicológico na auto imagem e na auto-estima de quem as veste, e, principalmente, na percepção que os outros têm sobre esse indivíduo. Podem mesmo construir-se várias identidades para se estar mais próximo do que se quer ser ou parecer ser.

A imagem pessoal que se mostra é vital para todas as áreas da nossa vida, é um forte meio comunicativo e, de certo modo, manipulador, fundamental para as relações pessoais e profissionais diárias. Ela antecipa-nos sempre para além de qualquer forma de comunicação, seja real ou direta. Nem sempre se conseguem traduzir as nossas intenções de forma positiva, mesmo que  incutindo-lhes algumas distorções e alterações. Este risco pode conduzir-nos ao sucesso (imagem de sucesso), ou, por outro lado, pode arruinar expectativas futuras relativamente a uma determinada situação, um encontro ou um qualquer evento.

Saber utilizar a imagem a nosso favor é um acto de inteligência e sabedoria, uma vez que uma imagem adequada, que transmita as mensagens pretendidas e sendo parte integrante de um percurso para alcançar os objetivos comunicativos que se estabelecem, pode ser decisiva para todo esse processo.

Através dos media criou-se no imaginário coletivo a ideia de imagem ideal correspondendo a padrões de certa forma impostos pela indústria da moda. Contudo a imagem ideal não é real, não existe.

Mas por outro lado, a imagem pode ser projetada e construída em conformidade com a realização dos projetos pessoais e profissionais que cada um pretende atingir e com o seu propósito de vida.

A imagem pessoal induz opiniões e pode direcionar comportamentos dos outros em termos de vontade, de atender aos nossos pedidos, de aceitar opiniões e propostas e garantir-nos mais acesso a informações e oportunidades, ou por outro lado, rejeição.

Sendo um veiculo de informação e comunicação poderoso, as vantagens em fazer uma gestão estratégica da imagem pessoal são infinitas.

Para uma Imagem de sucesso são requisitos essenciais a atitude, a credibilidade e a coerência na comunicação verbal e não verbal.

Melhorar a imagem controlando a impressão que transmitimos é um ativo que devemos analisar, desenvolver e rentabilizar de forma adequada, sensata e inteligente.

Não devemos jamais negligenciar a Imagem. Uma imagem coerente e diferenciada vai permitir, para além de aumentar a auto estima e a auto confiança, um reconhecimento de valorização pessoal por parte dos outros, quer seja na vida pessoal e social, quer seja na vida profissional. Através da imagem damo-nos a conhecer e somos também conhecidos. É a marca que deixamos e que diz realmente quem somos.

É vital na sociedade atual construir uma imagem alinhada com a personalidade de cada um, com a sua essência e com os seus propósitos de vida. Ela pode ser trabalhada e “manipulada”, com atitudes e ferramentas adequadas de modo a se alcançar uma imagem de sucesso, mas sendo sempre uma extensão do eu interior de cada um.

Já Epicteto dizia “Primeiro saiba quem é, depois vista-se conforme”.

Artigo originalmente publicado no Jornal Nordeste
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